Capa do Livro As Cartas de Gisela Ferian Sutto

[ SOBRE AS CARTAS ]

As Cartas é uma envolvente história que narra a forte relação entre mãe e filha.


Mãe desquitada que criou a sua filha sozinha, defendendo-se do mundo machista e sobrevivendo entre as traições da humanidade.


A doença que Narita enfrentou e o amor que sua filha, Sofia, dedicou, com a esperança de uma cura, passando por momentos que jamais um dia havia imaginado. A dor da perda e o momento sublime da separação de ambas.


A descoberta de uma caixa de cartas e poemas que Narita guardava por tantos anos e que revelaram à Sofia muitos segredos e passagens de suas vidas que a fez entender as tantas lacunas que havia em sua alma.


O encontro do amor pelo amigo de infância e o reencontro com o pai.


O entendimento que as emoções negativas levam às patologias, à descrença da vida e a doenças, que no fundo o amor e o perdão são sentimentos que libertam.


Este é um livro de resgate e preservação de memórias.

[ FICHA TÉCNICA ]

Autora: Gisela Ferian Sutto

Editora: Lura
Idioma: Português
Páginas: 328
ISBN: 978-85-5849-035-1
Estilo: Romance

Livro As Cartas de Gisela Ferian Sutto

[ QUEM SÃO ELAS ]

Narita, ou Rita

 

Narita, ou Rita na vida real, era uma mulher forte, integra, de personalidade firme, era uma pessoa justa, correta com o outro e com a sociedade. Era, muitas vezes, dura consigo sempre tentando acertar, mesmo que errasse vez ou outra. Ria de qualquer coisa, das mais banais, e chorava na mesma intensidade. Apesar de ser uma mulher forte, era emotiva. Ajudava todos os animais que via (inclusive sua casa sempre estava cheia deles).

 

Suas mãos pareciam ter vida própria, gostava de plantar, pintar, desenhar, costurar, fazer crochê, tricô, criar, modelar, modificar objetos velhos para serem reutilizados em novas formas, escrever, escrever e escrever. Fez muitos cursos na área holística e dava atendimento em massoterapia. Atendeu, gratuitamente, mulheres agredidas fisicamente e psicologicamente, com a massoterapia. Era Reikiana nível 3. Adorava viajar, andar a cavalo, cheiro de "bosta" de vaca, pegar fruta no pé e comer ali mesmo, onde ela estivesse.

 

Gostava das histórias da família, dos seus antepassados, de como viveram, como era a cultura de cada um, como lidavam com o mundo, da época, com o próximo e com a sociedade.

 

Seu grande amor, afirmativamente sem sombras de dúvidas, foi sua filha, Sofia, ou Gisela na vida real. Fazia o que podia para lhe dar o melhor, mesmo que isso lhe custasse muito. Tentou passar todos os seus valores, para que sua filha fosse uma mulher de bem. Acreditava que o certo seria deixar sua filha livre para fazer suas próprias escolhas e diante de sua educação, sabia que Sofia (Ou Gisela) faria as melhores. Assim foi, sempre... Narita (ou Rita) nunca lhe podava, mas estava sempre na retaguarda, quando sua "pequena" precisasse ou quando a matrona percebesse que algo poderia estar, ou dar, errado. O livre arbítrio reinava na relação de mãe e filha.

 

Sua pequena família, era o seu maior tesouro e lutou por ela até o fim de seus dias.

Sofia por Sofia, Gisela por Gisela

Quando encontrei a caixa de cartas, depois da surpresa, depois de passar noites e noites, lendo cada carta, cada poema, cada folha dos diários, tive uma certeza: precisava, queria, eternizar aquela história. Pensava: "Esta caixa não tem escritos, mas sim EMOÇÕES. Emoções vividas ou não vividas. Desejos, paixões, dores, lembranças, amores, diria: VIDA!"

 

Escrever o livro As Cartas foi uma das minhas melhores escolhas. Antes de iniciá-lo conversei com muitos amigos, familiares, pessoas que mal tinha contato, mas que minha mãe tinha. Precisava saber sobre todos os detalhes, de como ela era ou o que tinha vivido com cada um. Passei dias, noites escrevendo. Deixei muitas vezes de ir a eventos, encontros familiares ou até mesmo participar de festas, na minha casa, para escrever. Antes de iniciar o capítulo, ou a continuação do anterior, fazia uma meditação. Sentava na frente do computador e meus dedos digitavam com tanta rapidez que chegava a duvidar se era eu quem estava digitando. Caso esteja pensando em religião, não estou falando disso, estou dizendo apenas que minhas memórias vinham como se eu estivesse vivendo naquele dia, cada emoção. Falando nisso, muitas vezes também tinha que parar, pois as memórias eram doloridas em demasia, mas também muitas vezes queria ficar mais e mais, pois as lembranças eram as mais gostosas.

 

Sou uma mulher feliz. Independentemente de ter tido muitas lutas na vida. Mas quem não teve não é? Como dizia mamãe: Às vezes eu comparo a minha vida ao mar, às vezes maré alta, às vezes baixa, às vezes manso, às vezes bravio, às vezes romântico, esplendoroso, às vezes enjoado. Mas sempre, sempre em um eterno e misterioso movimento